segunda-feira, 25 de julho de 2016

Tudo é vaidade e aflição de espírito...



As vezes deparo-me com a brevidade do homem e com a excessiva preocupação dos problemas do dia-a-dia....No final, realmente, como disse Salomão, no Livro de Eclesiastes.

Afinal, de que aproveita o dinheiro que vem no começo do mês para que você "pague" seu mês seguinte de vida? Entram meses e saem meses e você não consegue localizar um sentido em "viver para pagar suas contas", muito menos em usar o dinheiro para obtenção de prazer. Este último o auxilia a aliviar o cansaço da vida, mas é vazio em si mesmo e desprovido de qualquer sentido prático, pois, a busca imediata por prazer é o caminho mais oposto à plenitude da felicidade!

Um amigo me lembrou há algum tempo de um conceito interessante do Ex-Presidente do Paraguai, Pepe Mujica (Quando ele me falou Mujica, logo pensei "poxa lá vem uma ideia esquerdista sobre o socialismo e sua bondade". não poderia estar mais errado).

Inventamos uma montanha de consumo supérfluo, e é preciso jogar fora e viver comprando e jogando fora. E o que estamos gastando é tempo de vida. Porque quando eu compro algo, ou você, não compramos com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta. E é miserável gastar a vida para perder liberdade.
Tal conceito fez sentido pra mim. Agora a questão é por qual motivo estou gastando o meu tempo atualmente? (Nesse pergunta quero saber mais sobre o tempo do que propriamente sobre o dinheiro. Pra mim "onde se gasta o dinheiro" é consequência de "onde se gasta o tempo"). Será que gasto o meu tempo com prazeres efêmeros? com objetos que não preciso? Afinal, o que preciso?

As vezes olho para terra e chego à mesma conclusão de Salomão: "Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. Eclesiastes 1:14-14"

Isso porque nada nesse mundo pode sequer preencher um espaço reservado que há no seu/meu coração que nenhum bem no mundo pode satisfazer, senão o propósito sendo trilhado.

Fiodór Dostoiévski reconhecia disse que "existe no homem um vazio do tamanho de Deus". A mesma linha de raciocínio foi que levou C.S. Lewis do agnosticismo à cristianismo:

Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo...Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.
Bom, a questão, então, parece ser para onde você está caminhando? Viver por viver? Viver para si próprio? Ou Viver para um propósito? Uma realização transcendente...


Todos nós desejamos o progresso, mas se você está na estrada errada, progresso significa fazer o retorno e voltar para a estrada certa; nesse caso, o homem que volta atrás primeiro é o mais progressista.                                                                                                                                  C.S. Lewis


sábado, 16 de julho de 2016

Metas, Objetivos e Propósitos na definição de Ed René Kivitz

Hoje só quero deixar aqui um trecho de um livro que muito me impactou quando o li. Eu sempre falava sobre meta, propósito e objetivo como se fossem sinônimos, mas na verdade não o são. Cada um tem sua definição própria. Vejamos um trecho do Capítulo 6 do Livro "Vivendo com Propósitos" de Ed René Kivitz. Sugiro que sente... é uma ótima leitura.



Metas, objetivos e propósitos são palavras entrelaçadas que, para a maioria das pessoas, querem dizer exatamente a mesma coisa: pontos de chegada. Os manuais de planejamento e de gestão multiplicam–se e, com eles, também cresce o número de definições possíveis para os termos. Na verdade, o mais comum é que cada autor use as palavras de acordo com sua conceituação particular: o que um chama de meta o outro chama de objetivo, e o que o outro chama de propósito, aquele um chama de meta. e assim por diante, até que ninguém se entende numa reunião porque todos estão usando as mesmas palavras, mas com sentidos diversos. Tudo porque cada um leu um manual diferente, e ninguém se preocupou em unificar a linguagem.

A coisa não poderia mesmo ser diferente. As definições do Dicionário Aurélio, por exemplo, ajudam, mas não esclarecem. Precisamos montar o quebra–cabeça dos conceitos, e o melhor que temos a fazer é redigir nosso próprio aurélio: cada um escreve o seu dicionário e, depois, no meio das conversas faz as adequações necessárias do tipo "ele está falando de objetivo, mas pra mim isso é meta, tudo bem, já entendi, vamos em frente". Fiz o meu aurélio particular e convido você a me acompanhar no raciocínio. Primeiro, vamos ao Aurélio de verdade.

 A coisa não poderia mesmo ser diferente. As definições do Dicionário Aurélio, por exemplo, ajudam, mas não esclarecem. Precisamos montar o quebra–cabeça dos conceitos, e o melhor que temos a fazer é redigir nosso próprio aurélio: cada um escreve o seu dicionário e, depois, no meio das conversas faz as adequações necessárias do tipo "ele está falando de objetivo, mas pra mim isso é meta, tudo bem, já entendi, vamos em frente". Fiz o meu aurélio particular e convido você a me acompanhar no raciocínio. Primeiro, vamos ao Aurélio de verdade.

objetivo. [De objeto + –ivo.] Adj. 1. Relativo ao objeto. 2. Prático, positivo. 3. Filos. Diz–se do que é válido para todos, e não apenas para um indivíduo. 4. Diz– se de fenômeno natural que se determina conforme os critérios científicos vigentes. ~ V. complemento –, direito –, idealismo –, novação –a,pronome – e  vertigem –a. • S. m. 5. Mat. No método interativo, o valor final para o qual convergem progressivamente os resultados das sucessivas interações. 6. Objeto.

propósito. [Do lat. propositu.] S. m. 1. Algo que se pretende fazer ou conseguir; intenção, intento, projeto. 2. Deliberação, determinação, decisão, resolução. 3. Modo sisudo; tino, prudência. 4. Relação, ligação. 5. Fim a que se visa. [Cf. prepósito.] A propósito. 1. A respeito. 2. Oportunamente, convenientemente. 3. V. por sinal. A propósito de. 1. Pelo fato de. 2. Com respeito a. De propósito. 1. Por querer; por acinte; intencionalmente, adrede. Fora de propósito. 1. Alheio ao assunto ou às circunstâncias presentes; despropositado.

finalidade. [De final + (i)dade; lat. tard. finalilale, 'desinência', 'terminação'.] S. í. 1. Fim a que se destina uma coisa; objetivo, alvo; destinação. 2. Causa final, i. e., explicação intelectual dum fenómeno pelos acontecimentos que se lhe seguem, pelo fim a que ele se destina. Finalidade externa. Filos. 1. A que tem por fim um ser diferente daquele que (total ou parcialmente) é meio de realizar esse fim. Finalidade imanente. Filos. 1. A que resulta da natureza e do desenvolvimento do próprio ser em que aparece. Finalidade interna. Filos. 1. A que tem por fim o próprio ser cujas partes são consideradas como meios. Finalidade transcendente. Filos. 1. A que se realiza em um ser pela ação que sobre ele exerce outro ser visando ao fim considerado.

Minhas definições pessoais indicam que a meta está relacionada com pontos mensuráveis de uma caminhada e dizem respeito a pontos de chegada ou a paradas para avaliação. A meta é o lugar definitivo ou intermediário aonde eu quero chegar. A meta responde à pergunta aonde? O objetivo, por sua vez, está relacionado com o que se pretende caso a meta seja alcançada. O objetivo justifica a meta. O objetivo responde à pergunta para quê? O propósito está relacionado com a motivação pela qual se busca um objetivo. O propósito é aquilo de que estou imbuído ao me mover em alguma direção. O propósito está relacionado com a finalidade, e a finalidade algo intrínseco à natureza do próprio ser, que age em direção as suas metas objetivos. O propósito é a programação interior que me coloca em movimento em certa direção. O propósito é a razão por que algo existe ou é feito. O propósito responde à pergunta porquê?

Em síntese, o propósito é algo que vem de dentro, que faz parle da minha natureza e identidade e que naturalmente me leva a buscar algumas coisas em detrimento de outras. Para alcançar essas coisas que estou buscando (objetivos), estabeleço alguns padrões de medida (metas), isto é, maneiras de saber se estou chegando aonde quero chegar. Dando asas a imaginação, podemos trilhar os caminhos de La Fontaine e imaginar que o Vento perguntou ao Fogo a razão pela qual estava derretendo a ponta do cordão, e ele respondeu que estava preocupado em não deixar o cordão desfiar, mas, no fundo, no fundo, gostava mesmo era de queimar. Derreter a ponta do cordão era a meta. Evitar que o cordão desfiasse era o objetivo. Queimar era o propósito, pois o fogo foi feito para queimar. Na moringa sobre a pia da cozinha estava a Agua, ouvindo a conversa entre o Vento e o Fogo. Naquele instante, pensou: "Também tenho uma meta: ser bebida até o final da tarde, e um objetivo: matar a sede de alguém, porque para isso existo, esse é o meu propósito: sou Água, fui feita para molhar".

Bom, era só isso mesmo...rs... Eu, quando leio essa parte, logo penso. Caramba, que lindo. É muito tenho que ler de novo. Se eu fosse você lia de novo e meditava.

Até a próxima.

M.M