As vezes deparo-me com a brevidade do homem e com a excessiva preocupação dos problemas do dia-a-dia....No final, realmente, como disse Salomão, no Livro de Eclesiastes.
Afinal, de que aproveita o dinheiro que vem no começo do mês para que você "pague" seu mês seguinte de vida? Entram meses e saem meses e você não consegue localizar um sentido em "viver para pagar suas contas", muito menos em usar o dinheiro para obtenção de prazer. Este último o auxilia a aliviar o cansaço da vida, mas é vazio em si mesmo e desprovido de qualquer sentido prático, pois, a busca imediata por prazer é o caminho mais oposto à plenitude da felicidade!
Um amigo me lembrou há algum tempo de um conceito interessante do Ex-Presidente do Paraguai, Pepe Mujica (Quando ele me falou Mujica, logo pensei "poxa lá vem uma ideia esquerdista sobre o socialismo e sua bondade". não poderia estar mais errado).
Tal conceito fez sentido pra mim. Agora a questão é por qual motivo estou gastando o meu tempo atualmente? (Nesse pergunta quero saber mais sobre o tempo do que propriamente sobre o dinheiro. Pra mim "onde se gasta o dinheiro" é consequência de "onde se gasta o tempo"). Será que gasto o meu tempo com prazeres efêmeros? com objetos que não preciso? Afinal, o que preciso?
Inventamos uma montanha de consumo supérfluo, e é preciso jogar fora e viver comprando e jogando fora. E o que estamos gastando é tempo de vida. Porque quando eu compro algo, ou você, não compramos com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta. E é miserável gastar a vida para perder liberdade.
As vezes olho para terra e chego à mesma conclusão de Salomão: "Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. Eclesiastes 1:14-14"
Isso porque nada nesse mundo pode sequer preencher um espaço reservado que há no seu/meu coração que nenhum bem no mundo pode satisfazer, senão o propósito sendo trilhado.
Fiodór Dostoiévski reconhecia disse que "existe no homem um vazio do tamanho de Deus". A mesma linha de raciocínio foi que levou C.S. Lewis do agnosticismo à cristianismo:
Bom, a questão, então, parece ser para onde você está caminhando? Viver por viver? Viver para si próprio? Ou Viver para um propósito? Uma realização transcendente...
Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo...Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.
Todos nós desejamos o progresso, mas se você está na estrada errada, progresso significa fazer o retorno e voltar para a estrada certa; nesse caso, o homem que volta atrás primeiro é o mais progressista. C.S. Lewis

