Muito se ouviu nessa semana sobre a decisão polêmica de um Juiz da 14ª Vara Federal, Dr. Waldemar Cláudio de Carvalho, que suspendeu o efeito da Resolução 001/1990 do Conselho Federal de Psicologia (CRP), nos estritos termos abaixo colacionados:
Vi muitos amigos meus celebrarem a decisão, mas, na mesma proporção, outros amigos bradaram aos quatro ventos que trata-se de um ato "atentatório à dignidade do homossexual", mero "preconceito travestido de tratamento"
“Sendo assim, defiro, em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re) orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do C.F.P., em razão do disposto no art. 5º. inciso IX, da Constituição de 1988”
Imagens como esta viralizaram em campanha na internet.
Enfim decidi dar minha opinião sobre o assunto. Estou escrevendo isso aqui neste Blog, pois, creio que terá menos acesso/impacto do que em uma rede social. E redes sociais são locais complicados para debatermos, todos são tão cheios de verdades absolutas e incontestáveis que eu, Mero Mortal, jamais ousaria questioná-los. Minha opinião advém de meus pensamentos, não defenderei o "direito jurídico da plena liberdade científica", só emitirei o que penso.
Para começar: eu já acho que a interpretação tendenciosa pesa muito contra o lado que chama esta medida de "Cura Gay". Ao propagarem-se manchetes com títulos "Judiciário Libera Cura Gay", "Homossexual será tratado como doente", ao meu ver só se está sensacionalizando o fato em busca de meros compartilhamentos/likes para que repetidores de idéias espalhem essa "Fake News" e mobilizem "massas cegas".
Antes de começar a falar sobre meu posicionamento, eu gostaria de fazer um pequeno adendo para os justiceiros de plantão. Não sou homofóbico, tenho amigos e parentes (muito queridos por sinal) que são homossexuais, sempre convivi com eles da mesma forma que convivo com todas as outras pessoas ao meu redor, pois, eles em NADA diferenciam de todos os outros. Logo, se for me taxar de homofóbico, saiba que isso me doerá, pois, não o sou, logo, se for fazer, ao menos faça de forma fundamentada para que possamos debater civilizadamente.
Sim, eu sou a favor da liberação do atendimento psicológico de orientação e reorientação sexual.
Não, não acho que homossexualidade seja uma doença, mas uma opção.
Veja bem, pra mim tudo começa com a escolha do prisma óptico pelo qual você quer usar o filtro axiológico advindo de suas experiências para filtrar sua visão de mundo, seu pequeno pedaço de ser na existência do universo. Não sou homossexual, mas acredito que um ser humano que opta por ser homossexual se sente mais feliz com essa escolha, talvez se sinta mais confiante com parceiros homo, talvez isso, talvez aquilo..... no final das contas podemos dizer que ele só escolhe esta opção, pois, sabe que será mais feliz consigo mesmo se assim o fizer. Note bem, pode ser que mesmo sendo feliz consigo mesmo ele venha a ter diversos problemas e infelicidades em outras áreas da vida, por rejeição, preconceito e atos análogos, mas pouco importa. Se ele estiver de bem consigo mesmo ele fará essa escolha, no final sempre buscamos a paz com nossa consciência.
Mas essa felicidade que vem de dentro... da paz interior, aceitação própria. Como esses conceitos nascem em nosso interior? Como são cultivados? Podem ser implantados? Ainda insistindo nessa "analogia agrícola", "sou eu o fazendeiro que cuido desse cultivo?". Pera aí, vamos viajar um pouco...
Todas as experiências que você teve durante a sua vida, moldam você, fazer uma profunda auto análise de suas ações moldam você e o tempo molda você. A todo momento você é moldado, experiências são adquiridas e por aí vai.... todo esse acúmulo de conhecimento junto com fatores externos e carga genética acabam por montar seu "Filtro Axiológico". Um filtro de valores e conceitos que o fará enxergar o mundo ao seu redor. Mas a questão é que você nunca está PLENO o suficiente de experiências e conhecimento para julgar seu filtro axiológico como perfeito, logo, seu modo de ver a humanidade não é perfeito. Assim como o meu também não o é.
Mas o que tudo isso "tem a ver" com o assunto? A felicidade é sempre a escolha.
Vamos lá, deixe-me tentar chegar ao ponto. A busca por felicidade é o que move a opção sexual da pessoa. Ninguém passa a ser homossexual para ser mais triste, pelo contrário, ao fazê-lo comemora que estará feliz com os amigos, parentes, e mesmo que estes não festejem, estará feliz consigo. Atenderá ao clamor de seu interior, essa opção estará de acordo com o que seu filtro axiológico lhe mostra. Mas esse filtro não é estático.

Em dado momento de sua vida pode ser que um homossexual pode querer retornar a heterossexualidade, pois, crê que ali encontrará e /ou estará mais feliz de acordo com o julgamento que seu filtro axiológico lhe apresenta. Por qual motivo esta pessoa não teria o direito a acompanhamento psicológico para lhe orientar? Vale aqui ressaltar que a orientação psicológica não é "coisa de maluco", psicólogo não trata só doença, quem trata exclusivamente de doença é médico. Psicólogo não é médico. O Psicólogo, ao meu ver, chega a ter um papel de "guru", "conselheiro", "Sábio da montanha" e etc. Sabem os velhos anciões que ouviam os lamentos dos mais novos e lhes prestavam conselhos apontando o caminho? Esse é um dos papéis do psicólogo ao meu ver. Óbvio que sei das outras implicações científicas da profissão e tudo o mais. Mas quero destacar este papel o psicólogo neste momento.
Imagine a cena: um rapaz de rosto liso, cerca de 16 anos, alguns pequenos pelos na barba. Ele demonstra cansaço emocional, chegou ao extremo e só enxerga a felicidade ao relacionar-se com outros homens e portanto busca orientação psicológica. Ele tem direito a orientação/reorientação, isso o deixará feliz. A felicidade dele está do outro lado da cerca, mas como chegar lá, onde está o caminho?
Imagine uma segunda cena. Este rapaz de rosto liso acima mencionado na verdade é uma mulher trans-gay. Ou seja, "um homem que nasceu errado em um corpo de mulher" e que agora ao invés de gostar de mulheres passa a afeiçoar-se por homens....Será que ela também não teria direito a reorientação ou orientação para fazer esta transição?
Se você só vê problema na primeira situação e não na segunda, sugiro que reveja seus filtros...Por qual motivo um caminho deve estar sempre fechado? Por que quem optou por ser homossexual não pode "desoptar" quando lhe aprouver? Quem sou eu, ou quem é você para impedir esta pessoa de buscar sua felicidade?
Eu entendo seus medos sobre a reorientação e alguns eu até compartilho.
O temor de grande parte da comunidade homossexual é que todos os filhos afeminados (e vice versa) sejam pressionados por seus pais para fazerem terapia de reorientação e que isso vire uma ditadura da reorientação. Confesso que compartilho desse medo, pois, creio que a decisão pela reorientação deve advir da mudança radical e paradigmática não só do filtro axiológico, mas da multifocalidade da inteligência (Dê um Google pra buscar um resumo sobre "Inteligencia Multifocal" de A. Cury).
O temor de grande parte da comunidade homossexual é que todos os filhos afeminados (e vice versa) sejam pressionados por seus pais para fazerem terapia de reorientação e que isso vire uma ditadura da reorientação. Confesso que compartilho desse medo, pois, creio que a decisão pela reorientação deve advir da mudança radical e paradigmática não só do filtro axiológico, mas da multifocalidade da inteligência (Dê um Google pra buscar um resumo sobre "Inteligencia Multifocal" de A. Cury).
O que vai te fazer achar a felicidade "do outro lado da cerca" é a alteração do seu modo de ver TUDO. Logo, a "forçação de barra" poderia ser um problema. Contudo, creio que é nesse liame subjetivo que o Conselho Regional de Psicologia (CRP) deveria normatizar. O psicólogo deveria analisar caso a caso e conferir, se, dentre outros, os requisitos que mencionei acima estão presentes no caso, se a reorientação e/ou orientação não é forçada. Creio também que os psicanalistas não estariam aptos a reorientar.
Enfim, deu vontade de escreve e eu escrevi. Espero que alguém leia. Sem mais.
M.M


Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir